quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Gostava de conseguir escrever, não
consigo de outras maneiras.
Desabam varandas vazias, abandonadas
por quem não mais as pode - sustentar.

Cingindo-nos apenas a olhar o mar - 
que não passava de um rio -
nunca entrar por ele a dentro.

E aqui me afogo, nem em ti, nem nas mágoas.
Afogo-me por não querer saber mais quem sou,
por nunca o ter sabido.
Amado, ser cliché.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

“Inebriados vão os corpos a caminho de sua casa.” 
Mal me lembro de quem me cantou estes versos, sua cara já é longínqua para mim (e a ideia de que tenho um irmão de sangue, não faz menor sentido.). Perdi-me no tempo e não consigo medir palavras, como me livrar desta carpideira que vive dentro de mim, que coisa, já chateia [tantas mulheres amaste assim]. Já que falas nisso [falo]-te numa que não amei mas que desejo, que sempre desejei, aquela que me escapou (afinal, até demais foram),[as que te escaparam] mas falemos só desta.
Cobiçada por muitos (amada quase por ninguém,) foi moçoila que veio de foram, seus pais imigrantes, concierges ou como raio se chama e que tais, reuniram seus trocos e vieram de volta à pátria amada para construir seu negócio, um restaurante, salão de actividades, tasca e recreio para a criançada da zona, sim zona, porque não podemos falar de bairros, pois ali de uma ponta a outra da localidade podem-se perder longas horas [lembras-te quando ias à fonte?!](é pá, cala-te, deixa-o cantar esta cantiga) tinha um nome dos astros esse espaço, poucas vezes lá fui, ficava distante, mas lembro dela, lembro muito bem, seu rosto alvo como nunca vira, cara pintada por pequenas sardas de um tom quase carmesim, cabelo negro cortado curto e sempre solto, escorrido como uma cortina de negra doçura, olhos escuros e ternurentos como se tivessem saído de um conto do Eça, lábios finos, cetim, desenhados a pincel por um grande mestre, digamos.. Italiano, veneziano ou qualquer um para esses lados, da altura do Manuel Barbosa e doutros bêbados como tal.
..
Perdi-me[te](mo-nos),
Seus lábios lembram-me a sede, a sede imensa que há dentro de mim, corpos, corpos nus e entrelaçados, corpos. Corpos que se tocam e beijam, mordem e vibram, tal como uma terceira menor em lá, faz vibrar em mim uma nota que só eu consigo ver, sentir e por fim ouvir, aroma silvestre do que podia ter sido um puro amor, amor perdido entre lutas de uma elite derrotista, aquela que nos levou a afastar (eras de tão longe, nunca fomos de lá, quanto mais a ré), seu noivo, pois noivo, pensavas que estava a brincar, ali não se brinca, dás dois beijos na cachopa, a seguir aperta-la bem e no dia seguinte está-se na tasca a falar com o pai e a combinar o almoço-ceia do próximo domingo porque entretanto há caçada e vinho. Pobres infelizes, como diria minha mãe: “Nunca passaram a ponte da vala” – Nem eu nunca pensarei que algum dia passarão, perdoem este meu preconceito, mas ainda não aceito a forma como fui escorraçado, vejam bem onde estão, onde estamos, não quero transparecer demasiado orgulho nem falta de humildade nos meus meus feitos, mas porra, verdade seja dita, acabo por ascender, por entre a merda escura que tive que comer, e consigo agora olha-los a todos de cima. No fundo há finalmente uma luz e sempre ouve uma estrela que brilhou mais alto, eles parados no tempo ficaram, continuam nas caçadas, e nos copos na tasca, restaurante, recreio da criançada da zona e salão de actividades, sei que ela fugiu, tal como eu [tu (nós]), para minha felicidade. [a felicidade constroi-se, não aparece e desaparece, isso são momentos, momentos que depois trazem saudade e recordação]
..
Mas já vos disse como era bela?! E o quanto a desejava!? Ela sempre o soube, trocámos olhares pelos pátios da escola, aquela escola de betão pintado de rosé vómito e amarelo canário morto à três semanas, onde se  podia fumar debaixo do telheiro no interior quando estava a chover, [tempos loucos..] onde o sentir não era permitido, onde haviam as curtes típicas da idade e amores que ficaram para sempre, não sou um saudosista, apenas constato factos que são inegavéis, o tempo era diferente, elas não cresciam tão depressa e uma menina-mulher no meio de tanto trambolho provinciano acabava por ser oásis a quem deseja sempre o poder de uma musa (nem que seja pelo simples prazer da inspiração, teu cabelo fogo). Lembro-me que lhe compus os meus primeiros acordes, que ainda hoje toco e que na realidade serviram para reclamar uma outra musa, aquela que me levou á fonte tanta vez, a comer chocolates e com uma companhia que também sofria do mesmo mal de mal amar, noutro contexto, mas no mesmo sentimento (fiquemos na mesma estória). Ainda lhe roubei um beijo, numa rua deserta depois das aulas onde li uns poemas inflamados do Ary, que me valeram louvores de poucos e vaias de muitos, depois ficámos corados a olhar um no outro, não sabíamos o que dizer, estávamos a pisar terreno proibido e a iludir a realidade que vivíamos. Sabíamos bem que não podíamos continuar, que os nossos caminhos já estavam traçados pelo inevitável fado da distancia e da solidão que habitava nos nossos peitos [a solidão vem de longe(]de sempre diria eu). Muita merda escorreu depois, cheguei até a levar uma batatada só porque ela usou o meu telefone uma vez e isso desencadeou uma imensidão de ciume rural que culminou comigo agarrado ao nariz enquanto tentava ler o jornal. O tempo passou e tornámo-nos ausentes, deixámos de falar e de nos encontrar, ainda o fizemos às escondidas alguns anos depois, apenas para partilhar a solidão, ler uns poemas e delicadamente degustar umas garrafas de vinho doce, que ela tanto aprecia. Seguimos os nossos caminhos, aqueles já traçados desde o primeiro dia em que os nossos olhos se haviam encontrado. Pouco sei dela agora, sei que não se chegou a casar com o tipo idiondo do talho, das caçadas e da ruralidade a roçar a besta, fez um curso superior e trabalha na revenda pois os anos de estudo e dedicação apenas foram ingratos para ela, como para tantos outros. Fez amigos com quem partilha a solidão agora e tem um companheiro que a ama e é feliz.
É o que me basta. [cala-te]

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

[porque raio te falta a força nas pernas..?!] Já passou, amanha de novo nasce o sol (em lá).

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Perguntas, perguntas sem resposta, convites sem réplica e um peito que sofre por não conseguir sair de onde está. [estou descalço porque me doem os pés] Gostava de saber o porquê dessa fuga, que raio, serei eu tal insensível que não vê o que devia ou estou apenas a exigir demais?! Não posso nem quero voltar de novo aquela cama (lar), muito menos mudar ideias, ideais ou valores, não desejo contar poemas nem sequer beijar. Apenas preciso de o saber, de saber se tem noção, do que fez, do que fizemos, do que fomos, do que somos e o que ainda poderemos ser. Não entendo o abandono, nem muito menos o aceito, é cruel, demasiado cruel pois sempre acreditei no ser maior que vive dentro de ti.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

(Quanto cansaço carrego, trago no pensamento o cabelo ruivo da aurora que procuro em vão todos os dias, todas as noites, a cada segundo, foi sempre uma realidade, realidade essa que só eu vivi. De nada vale carpir estes demónios, o meu peito continua lá e esta porta não se fechará enquanto não tiver minhas duvidas saciadas. São tantas e de tal tamanho, sem as sentir devidamente esclarecidas não poderei novamente saborear os prazeres de um outro corpo, o enamorar por outras pedras de outras calçadas gastas, não poderei abrir as asas e voar tal como sempre quiseste, não sairei deste negro confortável pois a luz fere demais os olhos, não te culpo nem nunca culparei, soubeste muito bem onde me ajudar, só não tinhas em mente que eu te viesse a amar assim.)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Já não saberei qual ser?! 
                                             Terei eu uma incapacidade total para amar!?
 Ou sou eu o vilão de sempre?!

Longas são as sestas que dormem as beatas no bolso do casaco, tal como varandas desabam de carregadas que estão. É um poder fugidio este de pensar que mandamos no amor. Ele não para nem sente, passa pela gente contente e depois desagua num grande mar. É ineficaz não querer pensar, habita na mente, não para sempre mas sempre, algo que para mim é ainda tempo presente feito num presente, de voluptuoso embrulho, não basta trazer um corpo anónimio para a cama, nem uns beijos trocados entre uns pares de copos de vinho, é ausente o sentimento e o corpo quente não chega para nada, a não ser aquele momento em que te confundes, em que não interessa quem mas onde está o pensamento e nas sublimes silhuetas que fazem lembrar um passado demasiado presente ainda muito longe do futuro, podia ser ela, outra, ou uma qualquer, não iria interessar.