terça-feira, 16 de dezembro de 2014

draga

ironia de dragas sobre o Tejo
as tágides choram, puro pranto
como quem perde um amante
e eu aqui. parado, num aparente
movimento circular, entre
as dragas que devoram
o fundo leito deste nosso rio
que amo, as construções que
em meu peito florescem -
vejo agora a arcada da igreja onde
chorámos um dia. -
o cruzeiro aguarda pela draga
que aguarda por nós,
por entre recortes de dragas
outros mais pequenos ainda.
três sinos repicam, os
eléctricos passam em barulho.

Bela melancolia de estar vivo.

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